Fluminense mira grandes Europeus em busca de soluções

Arsenal, Atlético de Madrid, Liverpool, Sevilla, Lyon e Vitória de Guimarães. O Fluminense é um time que, definitivamente, não tem medo de mirar a Europa para trazer reforços. Entretanto, diferente do que pode parecer, o clube pouco investiu nas aquisições.

Fred, Cavalieri e Ganso são as figurinhas mais conhecidas dos jogadores que estavam na Europa e pintaram nas Laranjeiras. Contudo, além deles, os atletas Wellington Silva, Henrique Dourado, Caio Henrique e Allan também estavam no velho continente antes de vestir a camisa tricolor.

O Fluminense não deixou de mirar os grandes da Europa em busca de jogadores nem após a saída da Unimed. Muito pelo contrário. Inesperadamente o tricolor vem conseguindo trazer mais jogadores com as pernas bambas do que antes. Dessa maneira o clube segue na busca de “novos Freds”.

Como chegaram nas Laranjeiras?

Ídolo Fred

(Foto: Nelson Perez | Divulgação)

De todos eles, o Flu só teve que abrir os cofres para trazer Wellington Silva e Dourado. O restante chegou por custo zero ou empréstimo. Dos que já vieram para o tricolor e saíram, apenas Dourado não atua mais no futebol brasileiro. Fred foi para o Cruzeiro, Cavalieri para o Botafogo e Wellington para o Internacional.

Dos jogadores da lista, Fred foi sem dúvidas o que mais brilhou com a camisa do Fluminense. Defendendo o tricolor carioca venceu dois Campeonatos Brasileiros, um Carioca e a Primeira Liga. Além disso, também foi o jogador que mais se identificou com o clube. Vestiu a camisa do Fluzão por oito temporadas, de 2009 a 2016. Disputou 287 jogos e marcou 172 gols.

Antes de chegar no Rio, Fred teve uma passagem vitoriosa pela França. Defendendo o Lyon de 2005 a 2008 o jogador lotou a mala de troféus. Conquistou três Liga Francesa, três Trophée des Champions e uma Copa da França.

Além dos títulos pelo Fluminense, foi jogando pelo clube que o atacante recebeu a convocação para a Copa do Mundo de 2014. Fez seis jogos, mas marcou apenas um gol. Um desempenho bem inferior à Copa das Confederações. Nela, disputada no ano anterior, fez 5 jogos e marcou 5 gols.

O casamento do atacante com o Fluminense chegou ao fim em 2016, quando o jogador se transferiu para o Atlético Mineiro. Jogou lá por dois anos antes de se transferir para o Cruzeiro, clube que defende atualmente, onde também está há dois anos.

Ex-dono da 12

(Foto: Nelson Perez | Divulgação)

Após mirar a França, o Fluminense apontou o radar para a Itália e Inglaterra. Após o fim da longa trajetória de Fernando Henrique defendendo a baliza tricolor, o tricolor se viu necessitado de um arqueiro que passasse tanta confiança quanto o anterior.

Cavalieri estava na Europa desde 2008, quando saiu do Palmeiras para defender o Liverpool. Entretanto, a estadia na terra dos Beatles não foi como o goleiro previu. Em três temporadas fez apenas dez jogos como titular antes de se transferir para o modesto Cesano. Similarmente à passagem pelo Liverpool, nem lá o goleiro conseguiu destaque.

Sendo assim, o Flu viu a oportunidade perfeita de repatria o goleiro que saiu em alta do Palmeiras. Assim como Fred, Cavalieri se identificou com o clube e criou uma ligação que perdurou até 2017. Da mesma forma como veio, voltou para a Inglaterra para defender o Crystal Palace.

Mas tudo indica que Cavalieri não consegue se adaptar a Europa. Sem disputar nenhum jogo em um ano voltou para o Brasil onde defende atualmente o Botafogo. Entretanto, na volta ao Rio encontrou a concorrência do paraguaio Gatito Fernández.

Cavalieri ficou sete anos defendendo o clube das Laranjeiras. Durante esse período disputou 348 jogos e conquistou um título brasileiro e da Primeira Liga.

O bom filho a casa torna

(Foto: Lucas Merçon | Fluminense)

O atacante Wellington Silva tinha apenas 17 anos quando deixou o Brasil rumo à Europa. A revelação tricolor foi contratada por 3,5 milhões de libras, cerca de R$ 9,8 milhões na época), sem sequer poder jogar pela equipe. Isso porque o jogador era menor de idade e o Arsenal precisava esperar ele completar 18 anos.

Entretanto, Wellington sequer estreou pelos Gunners. O jogador teve problemas para conseguir o visto de trabalho e foi emprestado para o Levante, da Espanha, sem sequer atuar pela equipe inglesa. A partir daí o jogador não conseguiu mais se firmar no velho continente.

Fez uma temporada apagada no novo clube e acabou sendo emprestado novamente. O destino dessa vez foi o Alcoyano, também da Espanha. Foi lá que o atacante conseguiu marcar o primeiro gol na Europa após dois anos sem quer jogar direito. No entanto, não foi o suficiente para garantir a permanência na equipe.

Wellington rodou por Ponferradina, Real Murcia e Almería, todos da Espanha. Sem conseguir mostrar o bom futebol que o levou para Europa, Wellington chegou a jogar na Inglaterra pela primeira vez. Fez 25 partidas pelo Bolton Wanderers e marcou dois gols. Apesar disso, sem se firmar, acabou acertando a volta ao Brasil.

Voltou para o Fluminense, jogou mais duas temporadas e acabou sendo emprestado ao Intenacional, clube que defende atualmente. Durante a carreira, além de dois jogos na Seleção Sub-17, o atacante tem no currículo um título brasileiro conquistado com o próprio Flu em 2010.

Henrique Dourado

(Foto: Lucas Merçon | Fluminense)

Artilheiro e atacante, Henrique Dourado chegou no Fluminense em baixa. O jogador chegou no clube após uma boa temporada no Vitória Guimarães, de Portugal, mas sem sucesso nas passagens que teve pelo Brasil. Antes do tricolor, desde a sua estreia no profissional Henrique Dourado passou por nove clubes, mas não emplacou em nenhum deles.

O atacante coleciona passagens por União São João, Santo André, Cianorte, Chapecoense, Mogi Mirim, Santos, Portuguesa, Palmeiras e Cruzeiro. O curioso é que Dourado sempre esteve vinculado ao Mirassol apesar de nunca ter feito um jogo sequer pela equipe.

Com exceção da passagem no Palmeiras em 2014, o atacante nunca havia conseguido se firmar. Sendo assim, vivia sendo emprestado ano após ano. Foi na ida para Portugal defender o Vitória Guimarães que a vida de Dourado começou a mudar. Em 2016, após uma boa temporada pela equipe Lusitana, o atacante chamou a atenção da diretoria tricolor, que desembolsou 1,5 milhões de euros para ter o jogador.

A atuação naquela primeira temporada foi discreta. Mas em 2017 o artilheiro faz a melhor temporada da carreira. Naquele ano Henrique Dourado fez 32 gols em 59 jogos. Ele chegou a atuar no Flu por mais uma temporada e em seguida foi para o Flamengo e posteriormente para a China.

Foram 113 jogos disputados e 46 gols marcados. O jogador não levantou nenhum troféu com o tricolor carioca, mas conquistou prêmios individuais como centroavante craque do brasileirão e artilheiro do brasileirão. Ambos em 2017.

Três em um

(Foto: Lucas Merçon | Fluminense | Esporte 24 Horas)

A chegada de 2019 não começou das melhores para o Fluminense. Isso porque o clube vem passando por sérios problemas financeiros desde o fim do ano passado. Entretanto, a diretoria ainda assim foi até a Europa buscar três peças que, até o momento, vêm sendo de grande importância para a equipe de Fernando Diniz.

Paulo Henrique Ganso

Paulo Henrique Ganso é sem dúvidas a contratação mais badalada do tricolor nos últimos anos. Entretanto, a negociação para trazer o jogador de volta para o Brasil não foi fácil. Isso porque o jogador estava emprestado ao Amiens, da França, pelo Sevilla.

O meia fez uma passagem na Europa digna de esquecimento. Nos poucos mais de três anos, o jogador mal atuou pela equipe da Espanha. Sem crédito, o jogador foi emprestado ao Amiens, onde também não mostrou um bom futebol.

Caio Henrique

Outro destaque do Flu até então, Caio Henrique também não tem motivos pra se lembrar com felicidade da ida à Espanha. O jogador saiu do Santos sem estrear pelos profissionais direto para o Atlético de Madrid. Fez apenas um jogo pela equipe principal e cinco pelo time B.

Sem atuar na Europa, Caio voltou ao Brasil pra jogar pelo Paraná no ano passado. A atuação foi o suficiente para chamar a atenção do Fluminense mesmo com o time do Sul sendo rebaixado no Brasileirão. Caio Henrique, hoje, é um dos jogadores mais versáteis do plantel tricolor. Já atuou de volante, meia e até lateral esquerdo.

Allan

Apesar da pouca idade, o volante Alla, ex-Liverpool, já carrega uma boa bagagem. Também foi para o velho continente antes de jogar pelos profissionais. Ainda sem experiência, não conseguiu sustentar a vida na Europa e nunca se firmou na equipe inglesa.

Jogou na Finlândia, Bélgica, Alemanha e Chipre antes de decidir voltar para o Brasil. Entretanto, desde que chegou ao Flu mostrou o porquê de ter chamado a atenção de um dos maiores clubes da Inglaterra. Apesar da posição, Allan se mostrou um jogador extremamente veloz e, principalmente, com bom passe. Essa característica, preferencialmente admirada por Diniz, fez o jogador ganhar mais espaço na equipe.

No que vai dar?

Conforme o tempo vai passando as novas peças do Fluminense vão se adaptando cada vez mais ao time. Certamente a tendência é melhorar, principalmente se levar em conta o baixo nível do Campeonato Carioca. Contudo, é a primeira vez que três jogadores com experiência em grandes clubes europeus se encontram no Flu.

Justamente por isso, pode ser que o técnico Fernando Diniz, conhecido pelo estilo de jogo moderno e semelhante aos europeus, consiga fazer a equipe funcionar. Para os atletas, o principal recado do futebol brasileiro já foi dado: paciência com as situações financeiras.

A falta de dinheiro do clube tricolor não é novidade no cenário nacional. Entretanto, seja no Fluminense ou em qualquer outro clube do Brasil, eles vão precisar se habituar a jogar com a pressão da dúvida do salário.

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