Hora da verdade na Libertadores

Dinheiro investido, contratações de peso, pressão por títulos, tragédia no Ninho do Urubu e um treinador que começa a ser questionado por parte dos torcedores. A Copa Libertadores da América vai começar e chegou a hora da verdade para o Flamengo. Ninguém se importa com o fracasso do time na Taça Guanabara, o foco nesta temporada é na competição Sul-Americana. E a estreia dos comandados de Abel Braga começa nesta terça-feira, em Oruro, na Bolívia, contra o modesto San José.

O adversário é fraco, mas a altitude jogará contra o Flamengo. Aliás, nessa fase de grupos o time também terá que subir a montanha para pegar a LDU. A tendência é que a equipe passe com, folga pela primeira fase, mas é sempre bom se garantir nas partidas que disputar em casa. Em se tratando das últimas performances do clube na competição, é sempre bom ficar com o alerta ligado. Além do San José e da LDU, o rubro-negro ainda terá a companhia do Peñarol, clube de camisa e peso na Libertadores.

Apesar dos reforços e de todo oba-oba com o time no início da temporada, a torcida ainda não demonstra confiança no técnico Abel Braga. A demora em definir um time titular não tem agradado a torcida. A postura defensiva e o estilo de jogo de Abel também não agradam parte da nação. Eu nunca fui um defensor de Abelão, acho o treinador um bom gerenciador de grupo, porém ultrapassado tecnicamente.

Algumas contratações ainda não engrenaram e o time segue com problemas nas duas laterais. Ainda assim, não há muito que temer nessa primeira etapa. O Flamengo tem time para vencer os três adversários, acho pouco provável que um raio caia no mesmo lugar várias vezes e uma eliminação precoce está descartada. É só jogar a soberba para escanteio.

O momento do clube não é dos melhores, a tragédia com os meninos do Ninho gerou certa antipatia do torcedor com a atual diretoria. Se a gestão anterior era cobrada pela falta de títulos, a atual paga pela omissão.  A competição mais importante do ano vai começar e a cabeça dos jogadores deve estar voltada apenas para a partida de estreia.  Enquanto a diretoria tenta se acertar com a família das vítimas, o time tem que fazer sua parte e justificar o alto investimento.

Sem folia? 

Os jogadores do Flamengo tiveram o carnaval interrompido, vão atuar na altitude e terão uma viagem extremamente cansativa. O San José é o franco-atirador. Já foi a época em que o os times e a Seleção brasileira não tinham o mínimo respeito pelo futebol boliviano. Os tempos mudaram e acho que um empate seria um bom resultado na estreia da Libertadores. O meu palpite para o jogo: San Jose 1 x 1 Flamengo.

Os bolivianos tiveram um tempo a mais para brincar. A cidade de Oruro tem um dos carnavais mais famosos da Bolívia. A festa segue os costumes andinos, baseados na invocação de Pacha Mama e do Tio Supay, que representam no sincretismo as figuras da Virgem Maria e do Demônio, respectivamente. São mais de 28 mil dançarinos vestidos com diversas fantasias e 48 grupos folclóricos, que percorrem mais de 4 km até chegarem a uma igreja, o “Santuário del Socavon”, onde a festa termina.  .

PINCELADAS DO RURÚ

CURIOSIDADE! Você sabia que o Peñarol, adversário do Flamengo na fase de grupos, inspirou as cores de uma escola de samba do Grupo Especial? Em 1952, a São Clemente nasceu como um bloco em Botafogo e ganhou as cores azul e branco. Meses depois, após assistir a um jogo entre o Fluminense e o time uruguaio, o fundador da escola Ivo Gomes, impressionado com a combinação de cores do Penãrol, sugeriu aos integrantes do bloco carnavalesco trocar as cores da agremiação pelo preto e amarelo. A São Clemente se tornou a primeira agremiação a adotar o preto como cor oficial.

NA APURAÇÃO PERDI VOCÊ… Em 1986, a Beija-Flor desfilou debaixo de uma tempestade com o enredo “O Mundo é uma bola”, do carnavalesco Joãozinho Trinta. Apesar de ter conquistado o público e a crítica com um desfile empolgante, a escola de Nilópolis não conseguiu o título. A Mangueira numa homenagem a Dorival Caymmi levantou o caneco. Outras escolas tentaram levar o futebol para a avenida, mas sem tanto sucesso. O último grande desfile de uma agremiação com a temática da bola foi da Imperatriz Leopoldinense. A escola de Ramos arrancou suspiros e aplausos até dos rivais quando levou toda a corte do “Galinho” para a avenida.

ENQUANTO ISSO… A Tradição desfila nesta terça-feira na Intendente de Magalhães, em Campinho, tentando retornar ao Sambódromo. A escola que nasceu de uma dissidência da Portela também já tabelou com o futebol na avenida. Em 2003, sem a presença esperada do craque Ronaldo, a escola homenageou o pentacampeão com o tema: “O Brasil é Penta, R é 9 – O Fenômeno Iluminado”. A química não deu muito certo e os jurados castigaram a escola na hora da apuração.

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