Flamengo, Vasco, Seleção Brasileira e Copa América: Silas passa carreira a limpo

Após uma Copa do Mundo traumática, Brasil vive de novo a expectativa de sediar uma competição internacional. No entanto, agora, os adversários já fazem parte da rotina dos brasileiros. Por isso, a sensação de facilidade toma conta dos torcedores. Por outro lado, a cobrança pelo título da Copa América sobe na mesma medida. Em entrevista exclusiva, ao Esporte 24 Horas, Silas analisa o nível da competição e antecipa as adversidades enfrentadas pela seleção.   

“Apesar de ser um torneio Sul-Americano, se perder, a pressão aumenta muito. Por outro lado, é um torneio menos exigente e só com cinco candidatos ao título – Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia e Brasil. Então, a vitória não é tão valorizada”, relata o campeão de 89.

Mesmo que não seja valorizada, Copa América traz muita pressão sobre a seleção brasileira. Principalmente, por ser a principal potência do continente. De acordo com Silas, os recentes resultados tornam a necessidade de título ainda maior neste ano.  

“A pressão maior não será só por ser no Brasil. Mas por conta dos resultados anteriores. Por exemplo, o famoso 7 a 1. Apesar disso, não acredito que a Copa América ficou mais valorizada. Só entrou mais um na briga pelo título – Chile”, comenta.

Conquista da Copa América de 89

Assim como a atual seleção, Silas e companhia tiveram a experiência de jogar uma Copa América dentro do Brasil. No entanto, na oportunidade, os brasileiros foram quase que irreparáveis. Tanto que conseguiram conquistar o título de maneira invicta.  De acordo com o campeão de 89, o peso de jogar a competição em casa foi muito grande.

“Vínhamos de 19 anos sem ser campeões do mundo. Por isso, tentaram colocar sobre as nossas costas o peso de 50. Até porque jogaríamos uma final contra o Uruguai. No entanto, falamos entre a gente que a grande maioria de nós não era nem nascido naquela época. Portanto, não tínhamos nada a ver”, revela Silas.

Esquivando-se da pressão, a seleção de 89 aceitou a responsabilidade e confirmou o favoritismo. Ao todo, foram sete jogos, cinco vitórias, dois empates e apenas um gol sofrido. Uma equipe que apresentou um futebol muito competitivo e garantiu seu lugar na história do futebol brasileiro.

“A conquista te da a oportunidade de ficar marcado na história do futebol brasileiro e no lugar mais alto que é a seleção. No título, acredito que a união do grupo, a parte técnica, física e mental fez muito a diferença. Nós éramos muito fortes”, analisa.

Flamengo e idolatria por Zico

Apesar da pressão de jogar em casa, os selecionáveis de 89 tiveram a missão de substituir uma geração que encantou o mundo. Mas a desconfiança foi superada dentro de campo. Aliás, de acordo com Silas, os jogadores da época estavam à altura dos grandes atletas do passado. No entanto, um ídolo terá sempre o status de “insubstituível”.

“Pra mim, Andrade, Carlos Alberto Dias, Carlos Alberto Santos, Junior e Neto, todos tiveram sucessores à altura. No entanto, o único incomparável é o Galo (Zico). Uma pena que não foi campeão do mundo para coroar a carreira brilhante”, lamenta Silas.

Aliás, a idolatria por Zico influenciou muito nas decisões de Silas. Por exemplo, a passagem como treinador do Flamengo em 2010. De acordo com o profissional, a dificuldade em recusar um convite do seu ídolo e a falta de experiência complicaram sua análise sobre o cenário rubro-negro. Por fim, venceu apenas uma partida em dez jogos a frente do clube.

“Na época, faltou experiência no meu procurador e em mim. Não soube recusar o convite do Zico – Diretor de Futebol do Flamengo na ocasião. Por isso, acabei dando esse passo em falso. O momento era de pós-título brasileiro, o Bruno tinha acabado de ser preso… Além das recentes saídas de Vagner Love e Adriano e as lesões de Petkovic e Maldonado. Portanto, todo um cenário para dar errado. Mas eu aceitei e não pensei na situação. No entanto, não guardo mágoas. Era rubro-negro quando criança, fiquei mais ao ver Zico jogar e continuo até hoje”, confessa Silas.

Passagem pelo Rio de Janeiro

Apesar das raízes rubro-negras, Silas iniciou sua trajetória no futebol carioca no Vasco. Mas a história não se desenrolou como ele esperava. Pelo contrário, uma pubalgia dificultou o rendimento do meio campista no cruzmaltino. Hoje, ele lamenta o baixo rendimento.

“Na época, estava com pubalgia e não consegui render nada. Gostaria de tido uma sequência de jogos pelo Vasco. O clube me acolheu após minha passagem pela Europa e Seleção Brasileira. Era um outro momento da minha carreira. A torcida me recebeu muito bem, mas infelizmente não consegui render tudo o que desejava pelo Vasco”, conta Silas.

Mesmo que as experiências nos clubes cariocas não tenham sido boas, Silas recorda com carinho do Rio de Janeiro. De acordo com o treinador, suas passagens por Vasco e Flamengo lhe rendeu muita experiência.

“Guardo boas lembranças da passagem pelo Rio. Ganhar e perder faz parte e não depende só de você. Mas se adquire muita experiência de trabalhos como os que vivi no Rio. Seja pelo Vasco jogando, ou pelo Flamengo dirigindo. Por exemplo, o que implementar em novos trabalhos, o que não fazer novamente e até o que aceitar ou recusar”, afirma.

Carreira de treinador

Apesar de ter mais de 20 anos como treinador, Silas ainda busca reconhecimento no futebol brasileiro. Por outro lado, no exterior, o profissional tem um nome bem fortalecido. Principalmente, na Arábia Saudita. De acordo com o técnico, a estabilidade de fora do país contribui na construção de trabalhos mais sólidos.

“Não sei porque sou mais reconhecido no exterior. Somos mais de 600 técnicos cadastrados no Brasil e vivemos em uma cultura injusta de demissão após três maus resultados. No entanto, ela está enraizada no país e é o preço que pagamos. Às vezes, o exterior te ajuda a melhorar em outros aspectos táticos e também na questão financeira. Por isso, os técnicos conseguem ter um pouco mais de tranquilidade, até mesmo pra dizer “não” para alguma proposta que entenda não ser boa o suficiente”, afirma o treinador.

Por outro lado, no Brasil, a instabilidade já é algo inerente dentro do futebol. Por isso, o mercado oferece sempre novas opções. Atualmente, o futebol brasileiro mescla juventude e experiência. No entanto, na opinião de Silas, clubes de massa precisam de treinadores mais experientes. Além disso, critica a falta de paciência dos dirigentes brasileiros.


“Acho que há espaço pra todos. Mas a experiência, muitas vezes, se adquire quebrando a cara. Times grandes, por exemplo, precisam de técnicos experientes. Está aí uma das razões de tantas trocas. Além da questão de como ser gestor de um grupo de 30 atletas com idades, histórias e momentos diferentes. Então, a falta de estabilidade preocupa. Por isso, há alguns treinadores que têm comércios ou atividades que geram recursos fora do futebol. Acho importante não depender somente do futebol”, conclui.

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