Demissão, dispensa de jogadores e falta de dinheiro, ex-zagueiro abre o jogo sobre passagem pelo Botafogo

Wilson Gottardo foi um dos zagueiros mais importantes e icônicos do Botafogo, sendo símbolo nas conquistas dos Cariocas de 89 e 90, formando dupla com Mauro Galvão, e do Campeonato Brasileiro de 1995, com Gonçalves. O ex-jogador teve três passagens pelo Clube da Estrela Solitária: 1987–1990; 1994–1995 e 1995–1996. Entre a segunda e a terceira, passou brevemente pelo São Paulo.

Em entrevista ao Esporte 24 Horas, Gottardo explicou as dificuldade que teve em sua passagem pelo Botafogo, em 2014, quando foi diretor técnico de futebol do clube. O ex-jogador foi contratado em julho. Naquele ano, o Glorioso disputou a Copa Libertadores após 18 anos. Em janeiro, Seedorf anunciou sua aposentadoria. Chegaram nomes como Jorge Wagner, Carlos Alberto, Zeballos, Bolatti, dentre outros. Porém, o Alvinegro Carioca perdeu peças importantes antes e durante a temporada, como Vitinho, Lodeiro, Dória, Andrezinho e Fellype Gabriel, por exemplo, e acabou rebaixado para a Série B.

“Fui contratado para ser diretor técnico de futebol no Botafogo. A ideia era ter uma relação mais próxima com a comissão técnica, com os atletas, fazendo esse elo com a diretoria, que havia uma crise estabelecida ali, nessa relação. Eu busquei o apoio de botafoguenses, que na época foram chamados como “Os Ilustres”. Busquei uma verba para que pudesse estar sanando essas pendências, no caso os salários. Mas aí, quando houve o afastamento daqueles quatro jogadores (Edilson, Emerson Sheik, Bolívar e Julio Cesar), esse grupo de botafoguenses não quis mais contribuir. Após isso, as coisas foram ficando mais difíceis. Além de buscar reestruturar o Botafogo no departamento médico, que tinham alguns equipamentos que estavam quebrados, outros já não existiam mais. Buscando parcerias em troca de equipamentos e outras coisas mais, que estavam atrapalhando o rendimento dos profissionais na área e a recuperação dos atletas, consequentemente.”

Incômodo

Na sua passagem como diretor técnico de futebol no Botafogo, uma situação incomodou muito Gottardo. O capitão do título brasileiro de 1995 não gostou da forma como Eduardo Hungaro, que dirigiu o time na Libertadores em 2014, foi afastado da função após a eliminação no torneio, mas continuou no clube como  auxiliar técnico, foi dispensado no final daquele ano.

“Ali, quem foi demitido pela mídia, pela internet, foi o Eduardo Hungaro. Eu, quando soube disso, não concordei. Falei que isso não se faz. O profissional, a pessoa, merece respeito. Chama o profissional, diz os motivos, ou não diz nada, está encerrado seu ciclo, pronto. Só foi isso. Até teve um áudio que viralizou, que foi sobre isso. Eu não concordo dessa forma, as pessoas merecem respeito. Só isso. Eu nem tinha amizade assim, próxima com o Hungaro. Não tenho afinidade nenhuma, não sou inimigo também, mas apenas penso assim, seja qual for o profissional, tem que ter dignidade para dispensar.”

Saída do Botafogo

No final de 2014 e início de 2015, houve uma mudança de presidente no Botafogo. Saiu Maurício Assunção, entrou Carlos Eduardo Pereira. Gottardo destacou que ficou à disposição, no entanto, a diretoria que assumiu preferiu outro nome para a função, no caso, Antônio Lopes.

“Nessa transição de diretoria, fiquei à disposição. Das quatro chapas, fiz reunião com três, expondo tudo aquilo que eu tinha visto, observado, avaliado, o organograma que existia. Uma chapa pediu minha opinião sobre a formação dessas equipes, eu opinei o que eu faria, e hoje ainda está lá no clube. Na virada do ano, no fim de dezembro e início de janeiro, chegamos a um acordo, havia duas pessoas para fazer a mesma função e obviamente a preferência é de quem entrou com essa diretoria, que na verdade já saiu. Essa pessoa já saiu. Enfim, normal, a vida segue.”

Retorno

Nos últimos anos, Gottardo obteve as licenças C, B e A da CBF para treinador. O ex-jogador também fez o curso de Gestão Técnica de Futebol, na Universidade do Futebol e no IAJ Gestão e Negócios Esportivos.

O ex-zagueiro espera um dia voltar a trabalhar no Botafogo. Porém, desta vez como treinador ou gestor técnico, funções que tenham relação com o jogo, com o campo técnico.

“Pretendo, um dia, voltar a trabalhar no Botafogo. Pode ser no campo técnico mesmo, como treinador, como gestor técnico, sem nenhum problema. Estar dentro do campo técnico, dentro daquilo que eu gosto, dentro daquilo que tem que ser feito, de toda a estrutura que é feita para se levar para dentro do campo. Eu não sou gerente, supervisor e nem financeiro. Tudo que é relativo ao jogo, ao campo técnico, aí sim eu estou à disposição. E seria o maior prazer voltar a trabalhar no Botafogo, sim.”

Joel Carli

Carli passou por uma cirurgia e ficará fora de um a dois meses (Foto: Vitor Silva | Botafogo)

Titular absoluto e capitão da equipe, Joel Carli sofreu uma entorse no joelho direito, passou por uma artroscopia e o prazo de volta é de um a dois meses. Nas três partidas em que atuou nesta temporada, o Botafogo não sofreu gols e venceu todas. Gottardo falou sobre o argentino.

“O Joel Carli é um jogador muito experiente, que tem uma liderança muito forte. Também tem um senso de colocação muito bom. Ele consegue coordenar o sistema defensivo da forma que o proteja e proteja o sistema de zaga, o miolo de zaga e os laterais. Isso é muito importante. O sistema defensivo não se resume a quatro zagueiros. Hoje é o time todo que trabalha o sistema defensivo, é necessário.”

Gabriel

Atuações de Gabriel vêm rendendo elogios (Foto: Vitor Silva | Botafogo)

Gabriel chegou ao Botafogo envolvido na negociação que levou Igor Rabello para o Atlético Mineiro. A princípio, o atleta despertava desconfiança no torcedor do Alvinegro Carioca. No entanto, as boas atuações têm rendido elogios ao atleta. Gottardo acredita que o zagueiro ainda vai evoluir mais e agradar a torcida.

 “Eu acho que o Gabriel vai evoluir ainda, vai mostrar mais suas qualidades. Em alguns momentos, um pouco tímido, é natural isso. Vai pegando mais confiança e vai evoluindo, vai crescendo e vai agradar a torcida, provavelmente.”

Defensa y Justicia x Botafogo

Marcelo Benevenuto foi o escolhido por Zé Ricardo para substituir Carli (Foto: Vitor Silva | Botafogo)

Na última quarta-feira, o Botafogo encarou o Defensa y Justicia na Argentina, em partida de volta da primeira fase da Copa Sul-Americana. A equipe de Zé Ricardo conquistou um grande resultado, vencendo a partida por 3 a 0 e garantindo a classificação para a próxima fase da competição.

Gottardo destacou a disciplina tática e defensiva que o Glorioso teve na partida. Sobre a dupla formada por Gabriel e Marcelo Benevenuto, o ex-jogador pontuou a falta de entrosamento, no entanto, afirmou que os zagueiros foram seguros, tiveram um bom desempenho e a tendência é que cresçam jogo a jogo.

“O Botafogo foi muito tático, muito disciplinado nas obrigações defensivas. Tentou fazer uma transição ofensiva, mas não estava fácil, ficou um pouco distante. Quando houve uma aproximação de dois, três, aí chegou na área do adversário. De qualquer forma, ficou um pouco evidente o desentrosamento deles dois (Gabriel e Benevenuto), mas eles estavam seguros, estavam desempenhando bem. Óbvio que tem potencial para evoluir, tanto individualmente quanto em dupla. Isso vem com o jogo, com treino, com conversa”, encerrou.