Ministério Público pede pela interdição do Ninho do Urubu

O Ministério Público do Rio de Janeiro, juntamente à Defensoria Pública, entraram com uma ação de interdição imediata do CT do Flamengo, o Ninho do Urubu. Além disso, os órgãos pedem o bloqueio de R$ 57 milhões das contas do clube. A ação se deve por conta do incêndio que matou 10 adolescentes no local, há duas semanas.

De acordo com a petição do Ministério Público e da Defensoria Pública, a interdição se deve ao laudo do Corpo de Bombeiros que identificou mais irregularidades no Ninho do Urubu. Segundo a inspeção feita na última semana, quatro quadros de energia foram identificados como possíveis focos de incêndio. Assim, o local seria fechado para a reparação dos problemas no centro de treinamento.

Além disso, o Ministério Público e a Defensoria Pública querem o bloqueio de R$ 57 milhões de reais das contas do Flamengo. A ideia é facilitar o pagamento das indenizações às famílias das vítimas. Ainda nesta quarta-feira (20), a Defensoria afirmou que o clube estaria disposto a pagar até R$ 400 mil como reparação pelas mortes dos 10 jovens. O valor equivale ao pagamento de um salário mínimo por mês, nos próximos 10 anos, para cada família.

Ministério Público do Trabalho rebate posição do Flamengo

Boate Kiss após incêndio

MTE rebate comparações entre incêndios no Ninho do Urubu e na Boate Kiss, em 2013 (Foto: Reprodução | Internet)

Entretanto, os órgãos públicos rejeitaram a proposta do Flamengo. De acordo com a Defensoria Pública, o ideal seria o pagamento de danos morais aos familiares. Além disso, o Rubro-Negro deveria custear uma pensão mensal por até 45 anos. O clube chegou a dizer em nota que o valor oferecido é acima da média em casos como esse e até citou o incêndio na Boate Kiss, em 2013.

Mas a posição do Flamengo foi rebatida pelos órgãos públicos. A procuradora do Ministério Público do Trabalho e integrante da Câmara de Conciliação, Danielle Cramer, afirmou que as situações no Ninho do Urubu e na Boate Kiss são completamente opostas. E que, em meio ao impasse em termos financeiros, o órgão irá buscar uma saída judicial para as indenizações.

“É uma situação absolutamente diferente. No Flamengo eram todos menores de idade, estavam alojados e eles prometeram às famílias cuidar de todos esses garotos. Na Boate Kiss, estavam em busca de entretenimento, era totalmente diferente. Agora vamos passar para caminhos judiciais”, disse Danielle Cramer.

Enquanto a justiça não decide os rumos do Ninho do Urubu, o profissional do Flamengo segue treinando no local. Pelo menos, até esta quinta-feira (21). Tendo que lidar com os ecos do incêndio no local, o Rubro-Negro volta a campo, neste domingo (24), contra o Americano.

Justiça proíbe entrada de menores no Ninho do Urubu