Taxista presta solidariedade e propõe corridas gratuitas a familiares das vítimas

, Flamengo, Vasco

Em meio a toda tristeza envolvendo o incêndio no Ninho do Urubu, uma lição de humanidade. Deixando de lado a questão financeira e a rivalidade, o taxista Gilmar Silva, de 40 anos, sensibilizado com a tragédio, se colocou à disposição para levar os familiares das vítimas ao CT do Flamengo, IML, hospitais e até mesmo em cemitérios, de forma gratuita. Gilmar, que é vascaíno, explicou os motivos que o fizeram tomar essa decisão.

“Eu sou muito emotivo em tudo que eu faço. Vou até contar uma intimidade minha. Sou chamado de “Docinho” no meu ponto. Se perguntarem por Gilmar, não vão saber quem é. Agora falou Docinho, todos me conhecem. Essa minha ideia surgiu do nada. Eu pensei em ajudar, mas não pensei que iria dar tanta repercussão. Eu coloquei no Facebook e estou disponível para fazer as corridas de graça mesmo”.

O ponto de táxi do Gilmar fica no aeroporto Santos Dumont e ele segue no aguardo para transportar algum familiar. No entanto até o momento isso ainda não aconteceu.

“Corrida com parente das vítimas eu ainda não fiz. Pessoal me manda mensagem me agradecendo, mas não sei se é de familiares. Estou em um grupo de WhatsApp com 100, 200 taxistas querendo fazer esse trabalho comigo, sozinho não dá para fazer. Estamos disponíveis para levar no Ninho do Urubu, hospitais e se precisar no cemitério também”.

Gilmar Silva trabalha na Cooperativa “AerosDumont”. O familiar que deseja uma corrida com ele, basta ligar para a empresa e pedir pelo carro 078 ou chamar no número pessoal do taxista, que é 21 99838-7040

Boas ações geram coisas boas

Gilmar Silva é morador da Penha, bairro da Zona Norte do Rio. Casado e pai de duas filhas, uma de 7 e outra de 12 anos, fez questão de deixar claro que é um trabalhador humilde, como grande parte da população carioca. Mesmo tendo algum prejuízo financeiro, espera que a boa ação possa inspirar as pessoas.

“Uma corrida do Santos Dumont para o Ninho do Urubu deve custar de R$ 160 a R$ 140. Eu não sou rico, mas estou ajudando. É essa mensagem que eu quero passar. Que sirva de exemplo para todo cidadão brasileiro. Você acha que não pode ajudar, mas pode sim, com pequenos gestos”.

Mesmo sem ter transportado nenhum familiar das vítimas, Gilmar acredita que a boa ação já vem surtindo efeito na sua vida.

“Quando você faz de bom coração, de boa vontade, as coisas fluem e parece que está fluindo tanto que eu saí com uma corrida do aeroporto desde manhã e só consegui retornar agora. Deus também está me abençoando. Eu tenho muito isso no meu coração. A gente tem que fazer o bem ao próximo, sem saber quem ele é. Se cada um de nós, brasileiros, realmente amar o próximo, como devemos ser amados, nós vamos perceber que todos somos iguais. Entre ricos e pobres”.

Gilmar Silva com suas duas filhas e esposa. Gesto serviu de inspiração para outros taxistas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Júnior Baiano lamenta tragédia no CT do Flamengo: “Quando eu começo a falar, dá vontade de chorar”