Ganso, o “Gravatinha” tricolor

Paulo Henrique Ganso tem a cara do Fluminense. Quem viveu a aristocracia tricolor décadas atrás, se lembrará dos momentos de pompa e sofisticação. Dos bailes de gala, dos vitrais franceses, das festas refinadas. Requinte, luxo e fidalguia de um Fluminense tão Flaubert, como escreveu o dramaturgo Nelson Rodrigues numa de suas crônicas mais famosas. O passado tricolor cabe na medida no novo camisa 10.

Ganso tem um futebol elegante, desfila em campo de cabeça erguida, estufa o peito beirando a arrogância e encarna como poucos a fleuma britânica. Frio, paciente e pachorrento, a ponto de vezes de irritar o torcedor mais acalorado. Os turrões, entretanto, sedentos por correria bradam contra o que chamam de apatia, mas eu chamo de inteligência. É o “Pensador de Rodan”, aquele que faz a bola correr, ir ao seu encontro. Joga verdadeiramente de terno e gravatinha tricolor.

Os modernistas dizem que o meia seria protagonista de um filme do Canal 100 e encheria sessões do Cine Pathé. Ledo engano, meu caro amigo. Ganso pode ser um exímio regente de uma orquestra, maestro da banda de peladeiros sem talento e vocação. Se não brilhou nos palcos de fora do país, azar do futebol. Tem a alma do Fluminense, clube acostumado a vencer na adversidade e capaz de reviravoltas de arrancar a cartola. Agora, aos tricolores resta apenas vestir seu traje de gala, tirar o lenço da gaveta e torcer pela volta dos anos dourados em Álvaro Chaves.

Cutucando… 

O resultado é o que menos importa nesse início de temporada. O Fluminense pode não conquistar o Cariocão, mas uma coisa o tricolor tem certeza: tá dando gosto de ver o time jogar, Apesar das limitações e do elenco ainda enxuto, estou gostando muito do esquema do Diniz, o “Guardiola das Laranjeiras”. Toque de bola, triangulação, nada de chutão e ofensividade. Diniz, no entanto, conseguiu fazer o que outros medalhões não conseguiram com um elenco aquém das expectativas. Ele começou a dar uma cara e identidade ao time, o que parecia improvável. Isso só comprova o que sempre achei do Abelão: um treinador ultrapassado e bom amigo dos jogadores.

Ao que tudo indica, o Vasco terá vida fácil nas semifinais do Cariocão. Com uma campanha até certo ponto inesperada nesse primeiro turno, o time não deve ter tantas dificuldades para passar pelo Resende, grata surpresa nessa Taça Guanabara. O Mengão terá seu primeiro grande teste de 2019. Apesar da superioridade em termos de elenco, o Flamengo ainda não sobra na turma, pelo menos dentro de campo. O Fla-Flu promete fortes emoções.

PINCELADAS DO RURÚ:

FUTEBOL NO FIM DO MUNDO: Você já ouviu falar no campeonato da Ilha de Gozo, região que pertence a Malta? Lógico que não. Mas o morador dessa longínqua região presenciou um dos gols mais bonitos da temporada e o melhor, marcado por um brasileiro. O meia meio desconhecido Felipe Augusto, do Kerċem Ajax, lanterna da competição, meteu um golaço do meio do campo, aquele que Pelé tentou e não conseguiu. Nesse ínterim, a façanha rendeu ao brasileiro fama imediata nas redes sociais. Após o feito, torcedores começaram a fazer campanha para que o gol concorra ao prêmio Puskas. Com isso, quem quiser participar é só usar a hashtag #FelipeAugustoNoPuskas. Confira o golaço e veja se merece o prêmio!

PERSEGUIÇÃO? Na última coluna falei cobras e lagartos sobre o “menino” Neymar. Nem todos concordaram com as criticas, há os que o defendam com unhas e dentes. Na semana passada, quando desembarcou em Barcelona para avaliar sua contusão, ele foi questionado por alguns jornalistas presentes se voltaria a jogar no Barça.  No entanto, com a elegância e maturidade de um atleta de ponta, respondeu: “Não encham o meu saco”. E ainda querem que eu pare de bater na criança mimada.  Palmada nele!

Integrantes da São Clemente durante desfile do Carnaval 2018

A São Clemente é considerada a escola mais irreverente do Carnaval do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação | Liesa)

VIRADA DE MESA: A São Clemente promete surpreender o público e os jurados no carnaval de 2019. A escola da Zona Sul vai reeditar o enredo de 1990, “O Samba sambou”, uma crítica à comercialização do carnaval. Além de descer o pau na transformação do espetáculo ao logo dos anos, mostrar a guerra de vaidade entre os carnavalescos, atacar sambas encomendados, o troca-troca entre componentes das agremiações, a escola de Botafogo, vai cutucar a própria LIESA. Na comissão de frente virá um grande castelo, habitado pelos presidentes das escolas. Uma enorme mesa de xadrez compõe a alegoria e, em determinado momento, essa mesa vai virar, escolas vão cair e outras tentarão escapar da queda. Salve-se quem puder.

As escolhas erradas de Ganso