Copa do Mundo, fracasso, piada mundial e Neymar: Retrospectiva da Seleção Brasileira em 2018

O ano de 2018 vai chegando ao fim e, com ele, muitas lembranças de uma temporada em que tivemos o torneio mais esperado por todos que, infelizmente, só acontece de quatro em quatro anos: a Copa do Mundo.

Neste ano, a Rússia foi o grande palco da maior festa do futebol e durante um mês, os olhos do mundo se voltaram para as 11 cidades-sede.

Tite, o arquiteto da Seleção

Tite em ação pela Seleção Brasileira

Tite assumiu a Seleção Brasileira dois anos antes do Mundial da Rússia (Foto: Lucas Figueiredo | CBF)

A expectativa em torno de um possível hexacampeonato da Seleção Brasileira era enorme. Principalmente depois que Tite assumiu a equipe durante as eliminatórias em um momento em que o Brasil lutava para ficar entres os que se classificavam.

O treinador, de maneira invicta, não apenas tirou o país do sufoco, como se classificou de forma antecipada e encheu os quatro cantos do Brasil de esperança. O ex-técnico do Corinthians recuperou a auto-estima e construiu uma nova Seleção Brasileira após fracassar com Dunga e Luis Felipe Scolari, em 2010 e 2014, respectivamente.

Outro que todos enxergavam um protagonismo gigante era Neymar. O craque do Paris Saint-Germain chegava como um dos principais nomes do Mundial. Não apenas por ser um dos melhores do mundo, mas por estar se recuperando de uma cirurgia no pé, que o afastou dos gramados por três meses, retornando apenas na Copa.

O fracasso na Rússia

Neymar em ação pela Seleção Brasileira

Acrobático, Neymar foi duramente criticado por técnicos, jogadores, torcedores e jornalistas (Foto: Divulgação | FIFA)

Neymar não brilhou. Tão pouco a Seleção. O camisa 10, inclusive, chamou muito mais a atenção pelas quedas e simulações de falta em campo, do que pelo futebol. Inclusive, virou motivo de chacota mundial, com crianças, jornais e pessoas de todas as partes do mundo tirando uma onda com o atacante.

Menos mal para Neymar que, se ele não brilhou, seus “rivais” Messi e Cristiano Ronaldo também não. Porém, outro jogador, que inclusive é seu grande amigo no Paris Saint-Germain, foi quem chamou a atenção: Kylian Mbappé.

Neymar apagado contra a Suíça

Neymar em ação pela Seleção Brasileira

Neymar não teve boa atuação contra a Suíça (Foto: Divulgação | FIFA)

O Brasil caiu no Grupo E, ao lado de Suíça, Costa Rica e Sérvia. A estreia não foi a esperada. Um empate em 1 a 1 com a Suíça deixou uma possível classificação em dúvida. O gol marcado por Philippe Coutinho, aos 20 minutos de jogo, colocou uma esperança de vitória na ponta da língua dos torcedores. Porém, logo no início do segunda etapa. Zuber empatou e deu número finais ao jogo. Na outra partida do grupo, a Sérvia venceu a Costa Rica e a Seleção não terminou a rodada como primeiro colocado.

Camisa 10 desencanta diante da Costa Rica

Na segunda partida, teoricamente a mais tranquila do grupo, o Brasil parecia que ia empatar com a Costa Rica e se complicar na chave, já que a Suíça venceu a Sérvia e foi aos quatro pontos, contra três dos sérvios, que jogariam com o Brasil na última rodada pelo empate.

Porém, no apagar das luzes, aos 46 do segundo tempo, Philippe Coutinho estava lá, mais uma vez, para salvar o Brasil e fazer seu segundo gol na Copa. Cinco minutos depois, aos 52 (o jogo teve muitos minutos de acréscimos), Neymar desencantou e fez 2 a 0. 

Neymar em ação pela Seleção Brasileira

Neymar se emocionou após marcar o primeiro gol pelo Brasil na Copa do Mundo (Foto: Divulgação | FIFA)

O camisa 10, ao final da partida, ajoelhou e chorou copiosamente no gramado. Nesta partida, ele recebeu cartão amarelo por reclamação e também ficou marcado por tantas quedas e simulações, algo que gerou polêmica no mundo inteiro.

“Salvação” contra a Sérvia

Na última partida do grupo, a vitória era obrigação. Se perdesse, era arrumar as malas e voltar para casa. Na verdade, ficar na Europa, já que o velho continente virou a casa do Brasil. Praticamente todos os jogadores atuam por lá, assim como 99% dos amistosos são disputados em diferentes países de lá.

A vitória veio, mas o convencimento de que o time de Tite estava no caminho certo, não. Apesar do 2 a 0, com gols de Paulinho e Thiago Silva, todos estavam desconfiados de que o Brasil não estava apresentando o fino da bola. Tinha mais: a equipe perdeu Marcelo, machucado, logo no início do jogo.

A Sérvia também jogava sua salvação na Copa do Mundo, pois uma vitória a colocaria na semifinal, conseguindo o feito de eliminar o Brasil. Porém, isso não aconteceu. A decepção brasileira viria mais pra frente.

Oitavas e o México

Ao se classificar, o Brasil ficou frente a frente com o México, do professor Osório, famoso no São Paulo por usar suas canetas coloridas na beira do campo. O adversário que passou por um grupo muito complicado, eliminando a toda poderosa e então atual campeã mundial, Alemanha.

Neymar voltou a aparecer, marcando o primeiro gol da partida, dando uma esperança aos torcedores de que começaria a brilhar na Copa do Mundo e seria protagonista, ainda mais que Messi e Cristiano Ronaldo haviam sido eliminados nos dias anteriores.

Paulinho abriu o placar para o Brasil ( Foto: Divulgação | FIFA )

Ele até tentou, mas a fama de cai-cai não saía de perto dele. Ao final, com um gol marcado por Firmino, pouco antes do fim, o Brasil saiu vencedor por 2 a 0 e enfrentaria a Bélgica, sempre sensação e que nunca correspondia. Seria desta vez que a grande geração belga engrenaria? Infelizmente sim, e logo diante do Brasil.

A pressão e o quase de Renato Augusto

Chegou a vez da Bélgica. A mesma que em 2002 foi eliminada pela Seleção Brasileira nas oitavas de final daquela Copa. Está certo que o time da Bélgica na atualidade é completamente diferente, mas é uma equipe que tem grandes nomes, mas nunca demonstrou futebol. Não é que resolveram fazer isso justo nesta Copa do Mundo?

Com 31 minutos de jogo, já venciam por 2 a 0, com um gol contra de Fernandinho e outro de De Bruyne. O mesmo Fernandinho, que após a eliminação, foi execrado e humilhado por parte da torcida nas redes sociais.

O quase empate veio no segundo tempo. Tite colocou em campo Renato Augusto para mudar o jogo. Ele ficou perto de conseguir. Marcou o gol brasileiro e, pouco depois, perdeu uma chance claríssima de gol e desperdiçou o empate.

Renato Augusto perde chance incrível ( Foto: Reprodução | TV Globo )

No finalzinho, Neymar ainda acertou um belo chute no ângulo, mas Courtois, de maneira incrível, buscou e decretou a eliminação brasileira nas quartas de final.

Tite renova contrato

Após o Mundial, Tite tirou uns dias para descansar e pensar no futuro. Uma traumática eliminação não tiraria o sonho do treinador de seguir no comando da Seleção. Tanto que, pouco tempo depois, anunciou sua renovação de contrato até o final da Copa do Mundo de 2022, no Catar.

Há muito tempo que o Brasil não mantinha um treinador após uma Copa do Mundo. Tite terá a missão de renovar a geração e ao mesmo tempo, manter o alto aproveitamento, já que soma apenas duas derrotas como treinador da Seleção.

Amistosos fracos

No segundo semestre de 2018, o Brasil realizou alguns amistosos. Porém, mais uma vez, e seguindo o padrão, não teve nenhum adversário de destaque. Enquanto times europeus se enfrentam, a CBF marca amistosos na Europa ou na América do Norte, mas contra times considerados fracos. Por aí vão: Estados Unidos, El Salvador, Arábia Saudita, Camarões.

Neymar encara jogador de El Salvador ( Foto: Lucas Figueiredo | CBF )

Tudo bem, Argentina e Uruguai também cruzaram o caminho, mas são seleções que o Brasil está mais do que acostumado a enfrentar. A CBF não marca amistosos contra os grandes da Europa. Com isso, chega em uma partida importante, como foi contra a Bélgica, e a equipe não consegue vencer ou desempenhar um bom papel, pois os amistosos não condizem com a realidade.

Resta esperar para ver o que a CBF vai agendar para 2019, já que tem Copa América, em casa, vindo por aí. Após o Mundial, foram disputados seis amistosos, com todos vencidos pelo Brasil e nenhum gol tomado.

Nova geração

A cada ciclo, novos nomes aparecem. Tite vem tentando encontrar os jogadores que devem compor o elenco da Seleção. Além daqueles que, por idade avançada, e a provável não presença na Copa de 2022, não devem mais ser convocados.

Nomes como Arthur, do Barcelona, Richarlison, do Everton, Lucas Paquetá, agora do Milan, Everton, do Grêmio, devem ser constantemente convocados em 2019, juntamente com Neymar, Firmino, Gabriel Jesus, Philippe Coutinho, Marquinhos, entre outros remanescentes.

Richarlison vem se destacando na Seleção ( Foto: Pedro Martins | Mowa Press )

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