“Foi lamentável”, diz René Simões sobre Neymar na Copa do Mundo

René Simões tem um vasto currículo no futebol. Seleções Brasileiras de base, feminina, principais de Jamaica, Costa Rica e Honduras, Sub-17 de Trinidad e Tobago. Fora clubes como Fluminense, Portuguesa, São Paulo, Vasco, Botafogo, Al-Arabi e Al Rayyan (Qatar), Vitória de Guimarães (Portugal), dentre outros. O profissional é membro do painel de instrutores da FIFA e também já foi Preparador Físico, Superintendente de Futebol, Diretor-Técnico e Diretor Executivo.

Simões é o único a comandar seleções masculina e feminina em competições oficiais da FIFA e que já dirigiu todas as categorias em Copas do Mundo. Em entrevista ao Esporte 24 Horas, René, que no ano passado dirigiu o Macaé e atualmente é Coach Esportivo, revelou que a ideia de voltar a ser técnico não está descartada.

“Antes do Macaé, já havia decidido atuar em outra área. Mas apareceu a oportunidade de juntar minha rede de restaurantes com o clube e mergulhei. Sabia das dificuldades de relacionamento da direção com os profissionais. Não deu certo. Hoje, tem alguns pontos interessantes. A Copa do Mundo mexeu muito comigo. Trabalhei nos programas da Fox Brasil. E na última semana, minha neta de quatro anos, vendo um jogo na tv comigo, me pediu para ir para lá, que queria me ver. E agora os treinadores mais antigos voltando e com ótimos resultados. Vamos ver como será ano que vem. Não decidi ainda.”

Técnicos experientes e jovens

Cada vez mais os clubes tem apostado em técnicos jovens. Porém, tem quem ainda prefira os experientes. Palmeiras com Felipão e Cruzeiro com Mano Menezes são exemplos. René pontuou que a renovação sempre existiu e o motivo das equipes estarem optando por novatos.

“Isso foi devido ao fenômeno Fábio Carille, que é meu mentorado desde o início de 2017. Todos acreditaram que bastava colocar um novato e seria igual. Mas a renovação sempre existiu. Eu dirigi a Portuguesa-SP do início ao fim do Campeonato Brasileiro de 86, aos trinta e três anos. Até agora sou o mais jovem a fazer isto.”

Neymar

Neymar durante jogo da Seleção Brasileira

Desempenho de Neymar na Rússia virou chacota mundial (Foto: Divulgação | Fifa)

Em 2010, no Santos, após Dorival Júnior não escalá-lo para cobrar um pênalti, Neymar chegou a xingar o treinador. Na ocasião, René declarou que o jogador precisava ser educado, pois estávamos criando um “monstro”. Na Copa deste ano, o atacante foi muito criticado pelo mundo inteiro por suas exibições e o hábito de se jogar tentando cavar faltas. Simões definiu como lamentável a participação do atleta no Mundial, mas que ainda acredita que o camisa 10 da Seleção possa ser o melhor do mundo no futuro.

“Foi lamentável tudo o que vimos na Copa. Do cabelo ao choro, das quedas ao desrespeito aos adversários foi triste. Mas a vida ensina pelo amor ou pela dor. Espero que as consequências, que foram muitas, tenham mexido com todo o staff dele. Os amigos não são os que falam o que queremos ouvir, mas o que precisamos ouvir.  Com boa orientação, ainda será o número um do mundo . Tem talento para isso. Talento + desempenho + disciplina = número um.”

Fluminense e Botafogo

René Simões durante treino do Botafogo

René Simões teve curta passagem pelo Botafogo (Foto: Vitor Silva | Botafogo)

Em 2008 e 2009, René treinou o Fluminense. Já em 2015, treinou o Botafogo. Simões apontou as diferenças dos clubes da sua época para os dias atuais.

“Tanto um como o outro, estão tentando dar um passo à frente na parte de estrutura, centro de treinamentos. Mas, também, tanto um como o outro, tem dificuldade em viver com o momento financeiro difícil e não ter como montar grandes equipes. Os dois já foram gigantes no campo. Hoje, são gigantes na sua história e paixão de suas torcidas. Vão se levantar.”

O Fluminense está com um pé nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Na mesma competição, o Botafogo precisa vencer o Bahia para avançar. Simões acredita ser muito difícil que algum dos dois consiga o título do torneio.

“Essa é uma pergunta muito desafiadora. Ganhar uma competição fora do Brasileirão, exige elenco de qualidade e numeroso. Nenhum dos dois possui. Isso pode trazer malefícios ao desempenho no Brasileiro. É óbvio que todos querem e lutam para ganhar, mas deve se ter cuidado com isso. Lembro da Ponte Preta na final dessa competição e cair no Brasileiro. Valeu a pena chegar na final?”

René Simões avaliou o desempenho da dupla no Campeonato Brasileiro. O profissional acredita que apesar das dificuldades, os clubes se sairão bem no final do ano.

“Estão passando dificuldades. O elenco é proporcional à possibilidade de investimento do clube. Mas se sairão bem ao final da temporada.”

Seleção Feminina

René Simões durante evento em Poços de Caldas

Medalhista Olímpico, René Simões é referência no futebol feminino (Foto: Divulgação | Flipoços)

Em 2004, nas Olimpíadas de Atenas, na Grécia, René conquistou a medalha de prata com a Seleção Feminina de Futebol. Simões comentou como tem visto a categoria atualmente.

“Evoluiu em todo mundo. A FIFA quer dobrar o número de praticantes para sessenta milhões em poucos anos. O Brasil vem ajudando com competições nacionais e regionais. Há uma ansiedade desproporcional, pois querem já ver no feminino o que veem no masculino. Impossível. Mas vejo evolução e não acredito que seja rápida. Mas outras Martas surgirão.”

Falando em Marta, recentemente a atleta foi eleita pela sexta vez a melhor jogadora do mundo. René não se mostrou surpreso com mais um prêmio para a camisa 10 da Seleção Brasileira e se mostrou feliz em ter contribuído na carreira dela.

“Ela é o Pelé de saias. Digo isto desde que a treinei em 2004. Velocidade com e sem bola, mudança de direção extraordinária, tomada de decisões assertivas, criatividade e definição técnica magnífica. O Rei tinha isso. Me orgulho como brasileiro e por ter colocado um pouco de profissionalismo na carreira dela”, encerrou.

Dirigente quer mais destaque para o futebol feminino

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