Artilheiro do Carioca de 94 revela mágoa por abandono do Flamengo

Campeão Brasileiro pelo Bahia e da Supercopa da Libertadores pelo Cruzeiro, passe comprado por Maradona e repassado ao Boca Juniors, e passagens pela Seleção Brasileira. Este era o currículo de Charles Baiano quando foi contratado pelo Flamengo, em 1994. Goleador, chegou à Gávea com muita expectativa. Naquele ano, foi artilheiro do Campeonato Carioca, porém, uma lesão atrapalhou sua trajetória no clube.

Em entrevista ao Esporte 24 Horas, o ex-jogador, que atualmente é fazendeiro em Itapetinga-BA, sua cidade natal, avaliou a sua passagem pelo Rubro-Negro.

“Quando eu cheguei ao Flamengo, tinha o estigma de em todos os clubes que eu passei, eu tinha conquistado títulos. E tinha feito os gols, sido artilheiro. Quando eu cheguei ao Flamengo, foi com essa expectativa. Consegui ter um primeiro semestre muito bom. Infelizmente, não conseguimos o título do Campeonato Carioca, mas eu fui artilheiro da competição com 14 gols. Infelizmente o título não veio, mas a minha passagem pelo Flamengo foi satisfatória. Em 30 jogos, fiz 18 gols, uma média muito boa para um atacante.”

Carinho, centenário e Romário

Apresentação de Carlos Alberto Dias e Charles Baiano

Carlos Alberto Dias e Charles Baiano foram os grandes reforços do Flamengo em 94 (Foto: Divulgação | Flamengo)

Como o próprio ex-artilheiro citou, o primeiro semestre com a camisa do Flamengo foi muito bom até se machucar. Charles acredita que faltou mais carinho dos dirigentes rubro-negros na época.

“Com certeza faltou mais carinho. Principalmente por parte da diretoria. Porque eu sempre fui um atleta muito correto não só no Flamengo, como todos os lugares que eu passei. Sempre fui profissional. E a partir do momento em que me machuquei, infelizmente a cirurgia que foi feita não foi de uma forma ideal. Na época, era para ter feito ligamento cruzado, daí não foi feito. Fez só menisco e cartilagem. Isso atrasou muito a minha recuperação, tanto que eu não consegui mais jogar no Flamengo. Foi muito complicado e muito decepcionante para mim, porque após a minha saída do Flamengo, nunca recebi uma ligação, nunca tive uma assistência real do clube onde me machuquei. Com certeza faltou muito carinho comigo.”

Deixando o clube no final de 1994, Charles perdeu a oportunidade de participar do centenário do Flamengo e jogar ao lado de Romário, então melhor jogador do mundo. O ex-atleta gostaria de ter permanecido no clube e ter a oportunidade de atuar ao lado do Baixinho.

“Com certeza era minha vontade ter participado do centenário do Flamengo. Até mesmo porque eu vinha em um ano muito bom. Essa era minha expectativa. E jogar ao lado do Romário. Eu tive a oportunidade de ir para a Seleção com o Romário, na Copa América de 1989, no Brasil. Tive essa oportunidade de conviver com o Romário, mas não tive a oportunidade de jogar com ele. Com certeza seria uma felicidade imensa, uma satisfação, um orgulho, porque dos atacantes que eu vi jogar no Brasil, foi um dos maiores, em todos os sentidos.”

Seleção Brasileira

Charles Baiano em sua residência

Charles segura quadro com foto de Pelé durante passagem pela Seleção (Foto: Reprodução Facebook | Charles Baiano)

Após o rápido sucesso no Bahia, em 1988, Charles chegou à Seleção Brasileira. Na estreia, contra o Peru, em Fortaleza, marcou dois gols na goleada por 4 a 1. Em sua segunda partida, guardou um na vitória por 4 a 0 sobre Portugal. Pré-relacionado para a Copa América de 1989, no Brasil, acabou sendo cortado da relação final. Este fato gerou revolta nos torcedores baianos. Na estreia do Time Canarinho na competição, na Fonte Nova, muitas vaias e confusão. O ex-atacante comentou o ocorrido.

“Eu vi esse episódio com alegria e com tristeza. Uma mistura dos dois sentimentos. Alegria pelo fato da torcida estar defendendo, lutando por um atleta da terra, conterrâneo. Não só pedindo favor para convocar um atleta da Bahia, mas reivindicando um atleta que mostrou que tinha condições de estar relacionado para a Copa América. Mas, infelizmente, isso não aconteceu, e houve uma revolta muito grande por parte dos torcedores. Porque a competição era no Brasil, a Seleção estava jogando em Salvador, e eu estava entre os 23 do grupo, mas não fui relacionado entre os 20. E isso causou uma revolta muito grande no torcedor. Você queimar bandeira do seu país, vaiar o hino nacional, isso são coisas que extrapolaram um pouco. Mas fica uma lembrança muito grande sobre esse aspecto.”

Consequentemente, Charles ficou fora da Copa do Mundo de 1990. O ex-artilheiro revelou se existem mágoas do então técnico da Seleção Brasileira, Sebastião Lazaroni.

“Eu realmente fiquei com muita mágoa em 1990, porque eu vislumbrei a possibilidade de disputar uma Copa do Mundo ali. Eu tive uma estreia muito boa pela Seleção, depois tive uma partida muito boa contra Portugal, no Rio. E não consegui ter uma sequência pelo aspecto de estarem vindo atletas como Romário, Müller, Bebeto.  Realmente tinha grandes jogadores, e eu não tive mais oportunidades. Eu realmente fiquei triste, com raiva naquele momento, mas hoje não tenho mais. Vai passando a idade, passando os anos, e a gente também tem que entender o lado do treinador.”

Após o título da Supercopa da Libertadores pelo Cruzeiro, em 1993, Charles chegou a ser convocado para a Seleção por Parreira. O ex-jogador acredita que se não fossem as lesões, poderia ter disputado o Mundial de 1994, nos Estados Unidos.

“Com certeza. Até mesmo quando eu fui para o Cruzeiro, o Parreira me convocou. Tive uma convocação quando nós fomos campeões da Supercopa da Libertadores contra o River. Eu realmente fiz um campeonato maravilhoso. Mas, infelizmente, as contusões me atrapalharam um pouco. Eu não consegui ter uma sequência em minha carreira para que pudesse chegar realmente em condições de brigar por uma vaga entre os 23 na Copa do Mundo de 1994.”, concluiu.

Brasil x Camarões

Em 1994. Bebeto e Romário formaram a dupla de ataque da Seleção (Foto: Divulgação | Fifa)

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