ONG diz que trabalhadores da Copa estão há meses sem receber salários

, Copa do Mundo

A ONG Anistia Internacional divulgou, nesta quarta-feira (26), que dezenas de estrangeiros que trabalham em uma das obras da Copa do Mundo de 2022 no Qatar estão há meses sem receber seus salários. A denúncia foi feita através de um informe sobre o país do Golfo Pérsico.

A organização de defesa dos direitos humanos destacou que a companhia de engenharia Mercury MENA deve a cada um dos trabalhadores originários de Nepal, Índia e Filipinas 1.700 euros (R$ 8.150,00). Segundo a Anistia Internacional, para alguns desses trabalhadores, a quantia representa 10 meses de salário.

A Anistia considera que o calote nos salários “arruinou vidas” e pede ao governo do Qatar que pague a esses trabalhadores.

“Ao buscar que eles recebam seus salários, o Qatar pode demonstrar que é séria a sua vontade de melhorar os direitos dos trabalhadores”, declarou Steve Cockburn, diretor de assuntos mundiais da organização.

A ONG elaborou o informe depois de entrevistar 78 trabalhadores da empresa, mas considera que centenas de pessoas podem estar na mesma situação.

Trabalho escravo

Trabalhadores sofrem com maus tratos no Qatar

Trabalhadores de obras da Copa 2022 ficam até cinco meses sem folga (Foto: Divulgação | Fifa)

Relatório da Confederação Internacional da União dos Trabalhadores (ITUC, sigla em inglês), que representa mais de 200 milhões pessoas em 155 países, apontou recentemente que, no país sede da Copa de 2022, ao menos 1.200 operários vinculados às obras do Mundial já morreram devido ao trabalho considerado escravo e em condições degradantes.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existe no Oriente Médio cerca de 23 milhões de trabalhadores imigrantes sujeitos à “kafala”, que em árabe significa tutela. Neste sistema, criado nos anos 30, os funcionários só podem trocar de emprego ou até mesmo sair do país com a autorização da empresa com quem têm contrato.

A “Kafala” faz com que os operários fiquem sujeitos a condições impostas pelos empregadores. Com direitos restritos, muitos trabalham por longas horas de expediente forçado, sem intervalo e em altas temperaturas – no verão, os termômetros apontam até 45ºC.

A Organização Internacional do Trabalho (ILO, sigla em inglês) , agência multilateral da Organização das Nações Unidas, especializada nas questões do trabalho e no cumprimento das normas internacionais, trabalha para oferecer direitos fundamentais para estes trabalhadores. Um dos objetivos, no momento, é a criação de um Tribunal Independente do Trabalho, não vinculado à Justiça do país, para receber as denúncias e combater o trabalho escravo no país.

“Copa de 2022 será a melhor da história”, diz Fossati

Deixe uma resposta