“Copa de 2022 será a melhor da história”, diz Fossati

, Copa do Mundo, Destaque

Logo após o fim da Copa na Rússia, os amantes do futebol já começam a olhar para o Qatar. Sede da próxima competição, em 2022, o país é reconhecido pelas suas exuberantes construções e infraestrutura. Fator que aumenta a expectativa sobre o que será visto daqui a quatro anos.  Com seis temporadas no Qatar, o treinador Jorge Fossati é um especialista no futebol local. Em entrevista, ao Esporte 24 Horas, Fossati conta que o governo qatariano está muito focado nos detalhes e garante que o próximo Mundial será o melhor da história.

“As autoridades do Qatar estão trabalhando para realizar uma grande Copa do Mundo, em 2022. Eles são muito focados nos detalhes para que nada dê errado. Para mim, o próximo mundial tem tudo para ser o melhor da história”, afirma Jorge Fossati.

Além disso, o treinador elogia o grande empenho na realização da competição. Mas faz uma ressalva. No futebol, a Seleção do país ainda não inspira confiança. De acordo com o técnico, a falta de trabalho a longo prazo prejudica a construção de futuro competitivo no esporte.

“Todos estão empenhados em fazer a Seleção do Qatar ir longe na Copa de 2022. Mas não vejo condições de se formar um time competitivo no futuro. Infelizmente, os dirigentes investem muito pouco no trabalho de base e isso reflete um pouco no time principal. Tenho certeza de que o Qatar vai organizar uma grande Copa do Mundo, mas tenho minhas dúvidas se o time será capaz de ir longe no próximo mundial”, analisa. 

Treinador do Qatar na última Eliminatória. O treinador revela as adversidades que enfrentou e o motivo para não seguir a frente do país até a Copa de 2022.

“Desde que iniciei minha trajetória na Seleção do Qatar encontrei dificuldades. Principalmente, por situações políticas e esportivas. Não concordei com algumas diretrizes e optei por não seguir com o trabalho. Independente do que aconteceu no passado, desejo os melhores sentimentos para que eles alcancem os melhores resultados sempre”, relata Jorge Fossati.

 

Al Rayyan

Jorge Fossati convocou Rodrigo Tabata pela primeira vez em 2015 (Foto: Al Rayyan)

Naturalização de estrangeiros

Tendo apenas 47 anos, Qatar é um dos países mais novo do globo. Por isso, a sociedade qatariana é feito por sua maioria de estrangeiros. Esse fato também explica a falta de tradição do futebol local. Sem interesse em desenvolver um trabalho de base, como contou Fossati, os qatarianos vão apostando na naturalização de atletas para aumentar a qualificação da Seleção. Sobre a prática, o treinador se posiciona a favor e revela sua expectativa para o resultado em campo.

“Sou totalmente a favor da naturalização de jogadores. Principalmente, para aumentar e qualificar o rendimento da Seleção visando a Copa de 2022. O Governo do país concede a cidadania para quem reside lá por mais de quatro anos. Na minha passagem pela Seleção, tive a oportunidade de escalar o Nathan Ribeiro. Vamos ter uma boa ideia da qualidade do time na próxima a Copa América no Brasil”, comenta.

Além de Nathan, outro jogador brasileiro ganhou uma oportunidade na Seleção de Fossati. Com passagem duradoura pelo Al-Rayyan, Rodrigo Tabata deslanchou no futebol do Qatar e cavou uma vaga na Seleção do país. De acordo com o treinador uruguaiano, o atleta ajudou muito no desenvolvimento do esporte local.

“Não tem como individualizar esse ou aquele jogador. Mas sem dúvidas, convocaria novamente o Rodrigo Tabata. Ele é um profissional exemplar, dedicado e determinado a vencer. O Rodrigo ajudou muito no desenvolvimento do futebol da Seleção do Qatar”, conta Jorge.

Jorge Fossati analisa Copa de 2018

Assim como em outros Mundiais realizados na Europa, os sul-americanos não tiveram boa participação. O fraco desempenho chamou a atenção da imprensa e dos torcedores. O debate sobre se o futebol da América do Sul estava ficando para trás ganhou grande repercussão. Sobre o assunto, Jorge Fossati lembra das dificuldades políticas que os argentinos viveram, acredita que Colômbia e Peru cumpriram seu papel e mostra decepção sobre o desempenho do Uruguai.

“Várias Seleções tiveram uma série de problemas até a Copa do Mundo. A Argentina, por exemplo, chegou com muitos problemas políticos e esportivos. O Brasil, para mim, fez um bom mundial e não foi além na competição porque nem sempre os resultados favorecem a quem melhor joga. Além disso, Neymar não chegou no seu melhor momento. A Colômbia e o Peru foram competitivos. A grande decepção foi o Uruguai. Ofensivamente a equipe, mais uma vez, foi dependente de Suarez e Cavani”, analisou o treinador.

Foto: Getty Imagem

Apesar de chegar a semifinal da Libertadores de 2008, Fossati foi demitido antes da final pelo Internacional (Foto: Getty Imagem)

Futebol Brasileiro sob ótica uruguaia

A ligação de Fossati com o futebol brasileiro é antiga. Goleiro de Coritiba e Avaí, no fim dos anos 80, o uruguaio encerrou sua carreira no país. Logo depois, veio a ser treinador do Internacional, em 2010. Na oportunidade, levou o time a uma semifinal de Libertadores. Mas devido à resultados ruins em outras competições acabou demitido antes de chegar a final. Sobre a pressão que sofreu no clube, o treinador conta que foram injustas.

“A pressão em cima dos treinadores é igual em todo lugar do mundo. No Internacional não foi diferente. Infelizmente, os dirigentes exigiam coisas que não tive como cumprir naquela época. Comigo, o Internacional conquistou bons resultados e classifiquei o time para a semifinal da Copa Libertadores da América. Aquele time só foi campeão porque também teve um pouco do meu trabalho”, desabafa o treinador. 

Desde que saiu da Seleção do Qatar, Jorge Fossati ficou impossibilitado por contrato de assumir qualquer outro compromisso até maio. Neste período, teve uma proposta do Deportivo Cali, que acabou não se concretizando. Enquanto isso, o treinador descansa e sonha com a oportunidade de voltar ao Brasil.

“Gostaria de voltar a trabalhar e viver no Brasil. Tive bons momentos como jogador na época em que defendi Avaí e Coritiba. Para mim, o futebol brasileiro é uma das melhores ligas do mundo. O Brasileirão tem uma particularidade interessante em relação às outras competições. É o único campeonato no mundo que tem pelo menos dez equipes candidatas reais ao título nacional”, conclui Fossati. 

Deixe uma resposta