Ex-árbitro afirma que VAR prejudicou o Brasil na Copa

O ex-árbitro José Roberto Wright sofre com mal de Parkinson desde 1986. Mesmo com o problema de saúde, Wright seguiu trabalhando até os anos 90. O ex-árbitro chegou a apitar a Copa do Mundo da Itália com a doença. Em maio deste ano, Wright instalou um chip no cérebro para conter os tremores nas mãos. O procedimento foi um sucesso e o árbitro tem apenas dificuldades na fala. Em entrevista exclusiva ao Esporte 24 Horas, Wright falou com naturalidade sobre a doença

“Em 1986, comecei a fazer acompanhamento logo quando ocorreram os primeiros pequenos sintomas. Quatro anos depois, apitei a Copa do Mundo, na  Itália, já com esse problema. E fui considerado o melhor árbitro do mundo. Quando decidi fazer a cirurgia, o tremor na mão esquerda estava incomodando muito. Após a implantação do chip, o tremor acabou e hoje tenho uma vida normal”, revelou.

Ex-árbitro afirma que Brasil foi prejudicado no Mundial da Rússia

José Roberto Wright criticou a utilização do VAR durante a Copa do Mundo. afirmou que a seleção brasileira foi prejudicada pela tecnologia em lances capitais no Mundial.

“Eu achei que a utilização do VAR, para o Brasil, foi extremamente prejudicial. Houve pênalti no lance do Gabriel Jesus contra Suiça. No mesmo jogo, o atacante suíço empurra acintosamente o Miranda. E a arbitragem deixou passar, mesmo com o árbitro de vídeo. Então, a situação do VAR tem que ser bem aplicada”, afirmou Wright.

José Roberto Wright também questionou o critério utilizado para o árbitro de vídeo. O ex-árbitro acredita que o VAR deveria ser utilizado apenas em lances que não dependem de interpretação, como impedimentos e gols. Para Wright, a tecnologia não facilita a compreensão de faltas e pênaltis.

“A tecnologia no impedimento é valida. Em lances técnicos, que dependem da avaliação do homem, é um problema muito sério. A visão do árbitro de campo é completamente diferente da do árbitro de vídeo. Com emoção do jogo, quem está em campo consegue interpretar o lance dentro do contexto. A solução para mim sempre foi ter dois árbitros cobrindo o campo inteiro. Seria algo muito mais barato do que pagar 40, 50 mil reais para termos um resultado positivo, em termos de arbitragem”, disse Wright.

Wright elogia esforços da CBF

José Roberto Wright em sua casa

José Roberto Wright apitou a Copa do Mundo de 1990 (Foto: Reprodução Facebook | José Roberto Wright)

Apesar de ter algumas ressalvas com a tecnologia, José Roberto Wright elogiou o esforço da Confederação Brasileira de Futebol para implementar o VAR no país. Mesmo com a negativa dos clubes em adotar o árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro, o VAR é utilizado na Copa do Brasil desde as quartas de final. Wright exaltou o trabalho feito pela CBF na qualificação da arbitragem.

“Qualificar os árbitros para o VAR foi uma preocupação muito grande por parte da comissão de arbitragem da CBF. O Coronel Marinho (presidente da confederação) e o Sérgio Correa (presidente da comissão) coordenaram o processo. Sempre com a direção que vinha da FIFA. O Brasil investiu muito no VAR e vamos esperar para ver o resultado”, concluiu Wright.

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